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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Copa do Mundo será uma tentativa de mostrar uma África do Sul unida

20 anos após o fim do Apartheid, segregação no esporte ainda apresenta reflexos


A África do Sul sediará a Copa do Mundo desse ano com um grande desafio: mostrar que o racismo não está mais nos esportes. “A maior contribuição para a África do Sul ao sediar a Copa do Mundo é o país poder mostrar ao mundo que o apartheid é algo do passado, embora ainda com marcas profundas em todo o território”, explica o professor da Unesp José Carlos Marques, pesquisador de comunicação no esporte. Até 1990, o regime restringia o acesso dos “não-brancos” a terras, empregos, educação e locais públicos.
A discriminação foi refletida no esporte: o futebol era o mais popular entre os negros e o críquete e o rugby o mais popular entre os brancos. Por causa do Apartheid, a África do Sul foi banida da FIFA, e só voltou a integrar a federação em 1992. Mesmo após o fim do regime, a preferência da população ainda segue uma tendência da época, como observou o estudante de direito Pablo Palaro, 22, que morou no país em 2006 “Os esportes mais praticados no país eram o Rugby e o Cricket, entre as populações brancas, e o Futebol, nas populações negras.”
Diferentemente do que acontecia no período da segregação, hoje as equipes não obedecem a uma divisão racial. “Na nova África do Sul, não há um preconceito entre as exceções, mas entre os mais velhos era comum que cada uma das "nações" só entendesse do esporte que mais frequentemente torcia no passado.” Comenta Pablo.
O professor Marques lembra que além do futebol ter um histórico de jogadores brancos, o rugby foi importante para a união nacional após a vitória de Nelson Mandela na eleição de 1994, a primeira em que os negros puderam votar.
O episódio destacado pelo professor é retratado no recente filme Invictus, estrelado por Morgan Freeman e Matt Damon. O filme mostra a primeira copa mundial de Rugby disputada na África do Sul, da qual a seleção sul-africana saiu campeã. O filme e a copa também são lembrados por Andy Colquhoun, Diretor de Comunicação Estratégica da South African Rugby Union, União Sul-africana de Rugby. “O primeiro título mundial da Springboks, de 1995, foi assunto do filme Invictus, e o jogo mantém sua popularidade extremamente alta.”
Colquhoun destaca a popularidade dos jogadores da seleção sul-africana de Rugby e conta que um dos jogadores, Bryan Habana, foi escolhido como a Estrela esportiva mais popular da África do Sul. O que não seria possível durante o Apartheid, já que Habana é negro.

Crédito: Gallo Images
Esportista mais popular do ano passado é negro em esporte de tradição branca


Para ver essa matéria editada no site da Livrevisa, clique aqui.

Esportes mais populares da África do Sul vieram da Grã-Bretanha

Futebol é o mais popular, por ter sido exclusivo dos negros, maioria no país

A África do Sul sediará nos meses de junho e julho a primeira Copa do mundo de Futebol a ser realizada em continente africano. O significado dessa conquista ultrapassa os limites esportivos e alcança status políticos e sociais.
Os esportes mais praticados na África do Sul, como destaca o site da Embaixada sul-africana no Brasil, são o futebol, o críquete e o rugby. “Lá eles praticavam muito futebol, cricket, hockey, tênis, golfe e surf” conta Cintia Zanin que morou em Durban, litoral do país, por dois meses.
Os esportes mais populares da África do Sul vieram de fora, o surf tem origem na Polinésia, o golfe na Escócia, e o críquete, o futebol, o hockey, o tênis e o rugby foram criados ou oficializados na Inglaterra, o que explica sua presença na África do Sul, país em que os ingleses estão entre os colonizadores.
Por causa do Apartheid, regime de segregação racial que durou do pós-Guerra até 1990, a África do Sul sofreu sanções, que a impediram de participar das competições internacionais. A seleção de futebol só voltou a integrar a FIFA em 1992, e só se classificou para a copa de 1998. O esporte é o mais popular no país, em parte, devido ao fato de ter sido exclusivo dos negros durante o período de segregação.
Outros esportes populares, o rúgbi e o críquete, foram exclusivos dos brancos durante o Apartheid. Apesar de hoje, não haver restrições, ainda há certa predominância branca no esporte. Perguntado sobre o perfil e a origem dos jogadores da seleção de Rugby, Andy Colquhoun, Diretor de Comunicação Estratégica da South African Rugby Union, destaca que o jogo é para jogadores de todos os tamanhos e formas. “O tamanho dos jogadores fica entre 1,80m (embora haja menores) e 2,08m, com peso de 80kg a 125kg, jogando em posições em que a exigência de velocidade e tamanho são diferentes.” Colquhoun também conta que a maioria dos jogadores são formados nas escolas, onde o esporte tem uma longa história. “Partidas entre escolas vizinhas podem atrair multidões tão grande quanto 20 mil pessoas.”
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